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    E pode ser isso! ... ou não.
     


    Coisas da TPM

            Bella resolveu ir ao salão. E isso não era comum -  é que ela realmente preferia arrumar os cabelos à sua maneira. E era melhor assim para evitar os "maus tratos" que ela tanto temia... Exagero, ela pensou. “Tenho uma entrevista de trabalho, dinheiro sobrando, e minhas escovas não ficam tão perfeitas... Vamos lá.” E para um salão ela foi.

            Ela já havia estado ali antes, e por ter gostado do jeito que seu cabelo ficou, resolveu voltar. Percebeu que a cabeleleira que tinha feito o “serviço” no cabelo dela uma vez ainda estava lá. Prontamente, ela disse à moça da recepção que queria aquela, se estivesse disponível.
    “Se você puder esperar, tem uma escova na frente..” ela respondeu.
    “Tudo bem”, Bella disse.

             E ela esperou os infinitos minutos até que chegasse sua vez.  Entreteve-se com aquelas revistas de fofoca, bem comuns nesses locais. As revistas prenderam sua atenção, apesar dela pensar que aquilo era bem inútil.

             E então chegou a sua vez. A moça da recepção foi a mesma quem lavou seus cabelos, por repetidas e... brutas vezes, por incrível que isso pareça. “Não, eu estou sendo tola em pensar que a mulher estava irritada pela quantidade de cabelo que estava lavando. É ter síndrome de perseguição.” E enquanto isso, a sua cabeleleira estava descansando... e a olhando com uma expressão não muito feliz, pra não dizer outra coisa.
    “Não é nada disso que você está pensando”, falou consigo mesma.

            E lá estava ela no puxa-puxa. Ela nunca fora impaciente, mas ela estava pensando que aquilo estava um tanto quanto demorado. As coisas não poderiam ser ruins só por isso, exceto pelo fato que a carranca da cabeleleira piorava a cada instante que ela pegava pequenas mexas – pra aumentar sua tortura – do grande montante de cabelo que Bella possuía.

            Então ela jogou no celular, tentou se distrair pensando em outras coisas, mas ela não conseguia disfarçar sua impaciência – cruzando os braços sem sentir por vezes, e abaixando a cabeça na hora errada por muitas outras – ao passo que a dona não disfarçava a sua irritação por estar fazendo seu serviço.

    Serviço não, obrigação. Ela estava pagando, oras bolas.

              Quando estava quase no final, Bella pensou: “espero que ela faça chapinha. Se ela não fizer, eu vou cobrar. Não, eu vou embora. E eu vou perguntar se ela só está cansada ou se ela simplesmente não gosta de trabalhar com cabelos.” E a escova terminou sem a chapinha como o esperado.


    E Bella não fez nada. Apenas pagou e foi embora, evitando as lágrimas que escorriam sem querer no caminho de volta para a casa. “Eu mesmo vou fazer minha chapinha! Vou fazer cachos, e eles vão ficar perfeitos!” Ela nunca tinha feito isso antes, e essa foi a primeira vez que ela desejou ter uma boneca de cabelos compridos. O jeito foi queimar seu cabelo, várias e várias vezes até achar o ponto certo.


    Talvez ela estivesse exagerando. Talvez a síndrome de perseguição estivesse atacada naquele dia. Talvez ela tenha acordado sensível. Ou talvez ela estivesse certa.


    Mas ela com certeza não havia visto cachos mais lindos que aqueles antes.



    Escrito por Mila Rodrigues. às 23h51
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